Enlouqueci por ela que já foi e nunca esteve aqui.
Só passou e disse que fuma, bebe e gosta de poesia.

Deixou a ilusão no chão e evaporou.
Tão bela, tão meiga e tão pura.

E o pobre Cravo de Gabiroba ainda sonha
um dia encontrar
tua verdadeira Flor da Canela de Ema. 

Deixou tudo.
Perdeu o sentido.
Foi e parou.

Para não dizer que foi sonho, o cravo acordou e viu
que os espinhos são defesas da flor.

… foi duro acordar e ver que a loucura é inocente, pura e tonta.
…porém, não tão dura e pronta, como a rocha da fria lucidez de um espinho.

Um só em um mundo, cravo só.
Onde há flores, há espinhos e ninguém é de ninguém.

Um estranho mundo em cravo
Inquieto na própria audácia
desfaleceu-se, desiludido e ansioso para reerguer-se.

Deixei de escrever
Andei passeando com os olhos
Eles sentem mais

A mentira cega 
O ódio espanta
Deste mal que nunca assossega 
Sempre esfrega a alma branca

Deixei a mente ausente.
Na intensa luta por si.
Assumindo o egoísmo pleno 
Com autonomia vaguei sem ver, sem olhar a dor.
Devorei o vazio, a ausência e  o silêncio taciturno das madrugadas. 

Enquanto a praga e a guerra queimavam o amor humano. 

Lacrimejo com a morte e com a vida.
Mundo algum se abre para tantos.
Tempos modernos
Cegos gênios e gênios cegos.

Olhos em desencanto
Que exalam dor, vergonha, desejo e não-desejo.
Enganam, mentem, matam, seduzem, desprezam e aconselham.

Um olhar que é capaz de quê? Do que é capaz um olhar?

BS. maio-08.

Arranque do oculto o desejo da busca, do olhar prosto e vilmente tênue.
Arrisque tua voz molhada de fantasia.
Arrisque tua solidão por esmola.
Arrisque a troca.
Arrisque dizer todas as mentiras veladas.
Arrisque o fim da regalia vulgar que sobrevive do ócio.
Arrisque pensar o bem para o bem.
Arrisque o respeito, a justiça.

Perfurado âmago que não suporta mais
a demência dos tempos mordenos
que nas surdinas da elite enaltece o fim dos tempo. 
Imploro: arranque o mal da tua inteção.