Pobre Cravo de Gabiroba
Jf, 2008
Enlouqueci por ela que já foi e nunca esteve aqui.
Só passou e disse que fuma, bebe e gosta de poesia.
Deixou a ilusão no chão e evaporou.
Tão bela, tão meiga e tão pura.
E o pobre Cravo de Gabiroba ainda sonha
um dia encontrar
tua verdadeira Flor da Canela de Ema.
Deixou tudo.
Perdeu o sentido.
Foi e parou.
Para não dizer que foi sonho, o cravo acordou e viu
que os espinhos são defesas da flor.
… foi duro acordar e ver que a loucura é inocente, pura e tonta.
…porém, não tão dura e pronta, como a rocha da fria lucidez de um espinho.
Um só em um mundo, cravo só.
Onde há flores, há espinhos e ninguém é de ninguém.
Um estranho mundo em cravo
Inquieto na própria audácia
desfaleceu-se, desiludido e ansioso para reerguer-se.
A tradução do idioma de olhares
Jf, 2008
Deixei de escrever
Andei passeando com os olhos
Eles sentem mais
A mentira cega
O ódio espanta
Deste mal que nunca assossega
Sempre esfrega a alma branca
Deixei a mente ausente.
Na intensa luta por si.
Assumindo o egoísmo pleno
Com autonomia vaguei sem ver, sem olhar a dor.
Devorei o vazio, a ausência e o silêncio taciturno das madrugadas.
Enquanto a praga e a guerra queimavam o amor humano.
Lacrimejo com a morte e com a vida.
Mundo algum se abre para tantos.
Tempos modernos
Cegos gênios e gênios cegos.
Olhos em desencanto
Que exalam dor, vergonha, desejo e não-desejo.
Enganam, mentem, matam, seduzem, desprezam e aconselham.
Um olhar que é capaz de quê? Do que é capaz um olhar?
BS. maio-08.
Arranque e arrisque
Jf, 2007
Arranque do oculto o desejo da busca, do olhar prosto e vilmente tênue.
Arrisque tua voz molhada de fantasia.
Arrisque tua solidão por esmola.
Arrisque a troca.
Arrisque dizer todas as mentiras veladas.
Arrisque o fim da regalia vulgar que sobrevive do ócio.
Arrisque pensar o bem para o bem.
Arrisque o respeito, a justiça.
Perfurado âmago que não suporta mais
a demência dos tempos mordenos
que nas surdinas da elite enaltece o fim dos tempo.
Imploro: arranque o mal da tua inteção.