Sono

Jf, 2008

A imagem do teu sono
Ficou guardada

Pairou sobre nuvens brancas e leves
Desfez-se em dias tristes e longos

Ao amanhecer
Ela entumeceu minha alma de alegria
E entornou a essência do amor puro em nossa amizade.

Giro o mundo na gira-roda
Viro a fundo na pira-pora

Livro os males da alma
Livre, sigo e levo apenas um livro de Neruda
E a saudade de um velho amor

Já sei o gosto do teu suco doce e ácido
Tirei tua casca com as mãos firmes
Pálida e indefesa
Esfreguei em meus dentes tua metade
Até escorrer em meus lábios teu suco doce e ácido

Suguei todo caldo como um beijo desesperado
Chupei toda tua alma como um sedento tarado
Até grudar em meus dentes os fios dos teus gomos

Intenso e frenético
Apenas uma semente semeará a laranjeira