Teu peito é luz
Jf, 2008
Faz palpitar teu coração
Reflete em mim.
Temo o escuro.
Tua palavra acalma.
Grite quando quiser gritar.
Cante e fale comigo talvez.
Teu olhar é sombra de bondade que me seduz e me guia.
É a cor que me traz o brilho de um pleno dia.
Na esperança órfã de um alegre dia
Esta é a vida de voltas e idas.
Sorrisos e lágrimas.
Contemplo apenas e nada mais.
Contemplo tua poesia, teus contos, teu querer, teus instantes e tuas angústias.
Faz-me um bem contemplar e nada mais.
Epígrafe de Julho
Jf, 2008
Diante de ti
Sinto-me um senhor
Tão meiga, tão macia e cheirosa como a flor.
As vezes, sinto-me um menino também.
Diante de ti, do teu volume, da tua volúpia de se fazer ser mulher.
Tão madura, tão serena.
De Julho, não sei o que será.
Muito menos sei
O que desta vida posso esperar.
Agora nem menino
E nem senhor
Apenas um instante de consolação
Uma desolada lembrança de um poeta na multidão
Categórico dilema
Jf, 2008
Sei que no decorrer das horas
Tudo se faz e se desfaz
Pelo abismo intenso que me apavora
Pedaço de aurora, fatia-me em outrora
Ando, olho, penso e não há calma
Volto, paro e me desespero
Pelas horas que perdi,
Pelos amores que não amei,
Pelos sonhos que não vivi,
Pelas escolhas que não fiz,
E por tudo mais.
Efêmera é a vida que limita nossas horas, escolhas e amores. Viver horas, como a Efemérida, é mera semelhança, quando não se goza a vida como ela é. Efêmera.
Abrigo
Jf, 2008
Vá com a mesma pressa que veio.
Não deixe rastro, lembrança ou saudade.
Cá estou diante de tudo sem anseio.
No perene lastro de uma intensa fragilidade.
Recolho os grãos e retomo a insólita virtude da poesia.
Para não abraçar a loucura e nem me perder na fantasia.
Desato os laços sombrios da incerteza e evito o trauma.
Fecho os olhos para esconder a alma, disfarçar a dor e manter a calma.
Pobre Cravo de Gabiroba
Jf, 2008
Enlouqueci por ela que já foi e nunca esteve aqui.
Só passou e disse que fuma, bebe e gosta de poesia.
Deixou a ilusão no chão e evaporou.
Tão bela, tão meiga e tão pura.
E o pobre Cravo de Gabiroba ainda sonha
um dia encontrar
tua verdadeira Flor da Canela de Ema.
Deixou tudo.
Perdeu o sentido.
Foi e parou.
Para não dizer que foi sonho, o cravo acordou e viu
que os espinhos são defesas da flor.
… foi duro acordar e ver que a loucura é inocente, pura e tonta.
…porém, não tão dura e pronta, como a rocha da fria lucidez de um espinho.
Um só em um mundo, cravo só.
Onde há flores, há espinhos e ninguém é de ninguém.
Um estranho mundo em cravo
Inquieto na própria audácia
desfaleceu-se, desiludido e ansioso para reerguer-se.
