Efêmera inspiração
Que te arrebata e te envolve de súbito momento
Faz palpitar teu coração
Conduz-me a um pleno contentamento. 
Reflete em mim.  
 
Teu peito é luz, deixa aceso.
Temo o escuro.

Tua palavra acalma. 
Grite quando quiser gritar. 

Cante e fale comigo talvez.

Teu olhar é sombra de bondade que me seduz e me guia.
É a cor que me traz o brilho de um pleno dia.

 
Quando te leio na poesia
Minha’lma sonha tua serena vida
Na esperança órfã de um alegre dia
 
É amiga. 
Esta é a vida de voltas e idas.
Sorrisos e lágrimas.
 
Contenho-me sempre quando me deparo com teu universo.
Contemplo apenas e nada mais.
É mais que querer, é mais que ter.

Contemplo tua poesia, teus contos, teu querer, teus instantes e tuas angústias.

Faz-me um bem contemplar e nada mais.

Diante de ti
Sinto-me um senhor
Tão meiga, tão macia e cheirosa como a flor.

As vezes, sinto-me um menino também.
Diante de ti, do teu volume, da tua volúpia de se fazer ser mulher.
Tão madura, tão serena.

De Julho, não sei o que será.
Muito menos sei
O que desta vida posso esperar.

Agora nem menino
E nem senhor
Apenas um instante de consolação
Uma desolada lembrança de um poeta na multidão

Sei que no decorrer das horas
Tudo se faz e se desfaz

Pelo abismo intenso que me apavora
Pedaço de aurora, fatia-me em outrora

Ando, olho, penso e não há calma
Volto, paro e me desespero

Pelas horas que perdi,
Pelos amores que não amei,
Pelos sonhos que não vivi,
Pelas escolhas que não fiz,

E por tudo mais.

Efêmera é a vida que limita nossas horas, escolhas e amores. Viver horas, como a Efemérida, é mera semelhança, quando não se goza a vida como ela é.  Efêmera.

Abrigo

Jf, 2008

Vá com a mesma pressa que veio.
Não deixe rastro, lembrança ou saudade.

Cá estou diante de tudo sem anseio.
No perene lastro de uma intensa fragilidade.

Recolho os grãos e retomo a insólita virtude da poesia.
Para não abraçar a loucura e nem me perder na fantasia.

Desato os laços sombrios da incerteza e evito o trauma.
Fecho os olhos para esconder a alma, disfarçar a dor e manter a calma.

Enlouqueci por ela que já foi e nunca esteve aqui.
Só passou e disse que fuma, bebe e gosta de poesia.

Deixou a ilusão no chão e evaporou.
Tão bela, tão meiga e tão pura.

E o pobre Cravo de Gabiroba ainda sonha
um dia encontrar
tua verdadeira Flor da Canela de Ema. 

Deixou tudo.
Perdeu o sentido.
Foi e parou.

Para não dizer que foi sonho, o cravo acordou e viu
que os espinhos são defesas da flor.

… foi duro acordar e ver que a loucura é inocente, pura e tonta.
…porém, não tão dura e pronta, como a rocha da fria lucidez de um espinho.

Um só em um mundo, cravo só.
Onde há flores, há espinhos e ninguém é de ninguém.

Um estranho mundo em cravo
Inquieto na própria audácia
desfaleceu-se, desiludido e ansioso para reerguer-se.