Deixei de escrever
Andei passeando com os olhos
Eles sentem mais

A mentira cega 
O ódio espanta
Deste mal que nunca assossega 
Sempre esfrega a alma branca

Deixei a mente ausente.
Na intensa luta por si.
Assumindo o egoísmo pleno 
Com autonomia vaguei sem ver, sem olhar a dor.
Devorei o vazio, a ausência e  o silêncio taciturno das madrugadas. 

Enquanto a praga e a guerra queimavam o amor humano. 

Lacrimejo com a morte e com a vida.
Mundo algum se abre para tantos.
Tempos modernos
Cegos gênios e gênios cegos.

Olhos em desencanto
Que exalam dor, vergonha, desejo e não-desejo.
Enganam, mentem, matam, seduzem, desprezam e aconselham.

Um olhar que é capaz de quê? Do que é capaz um olhar?

BS. maio-08.